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O que faz a violência doméstica crescer em MT é o machismo exagerado

Assistência Social

  • Publicado em 03/07/2017

Destacou a superintendente estadual de Políticas para Mulheres do Estado de Mato Grosso - Isabel Cristina Gama da Silveira na manhã desta quarta-feira (28), durante palestra ministrada para dezenas de mulheres na cidade de Nossa Senhora do Livramento, município situado a 32 km, da capital, Cuiabá.

De acordo com Isabel Silveira, tá ficando comum aparecer valentões, dentro de casa ou fora dela, e dizer que a última palavra dada será sempre a dele. Sem apresentar números, a palestrante salientou “não ser a toa que Mato Grosso deixou de ocupar a 5ª colocação de Estado brasileiro em violência contra a mulher, para se tornar o 3º. Precisamos frear essa situação. Os homens batem e matam por motivos fúteis”, reclamou a superintendente.   

Para Isabel, foi o tempo em que as mulheres brasileiras eram legalizadas a serem tratadas como inferiores, loucas e até retardadas. “A Constituição brasileira de 1946 dava esse aval e até 1962, as mulheres casadas só podiam trabalhar fora de casa se o marido permitisse e isso era lei imposta pelo Código Civil de 1916”, destacou.

Segundo Isabel, graças à luta de um grupo formado por cerca de 1500 mulheres, que na Constituição de 1988, se conseguiu significativos avanços nos direitos civis das mulheres, porém, alertou haver mulher que mesmo apanhando acha que o homem a ama. Para tanto exemplificou que após um empurrão sofrido, o homem dá um beijo, após uma tapa, ele pede desculpas e após uma bofetada, ele oferece uma flor. “Amiga, acorda! Agindo assim você receberá flores sim, porém as últimas serão jogadas em você estendida sobre um caixão.”     

Na ocasião, a superintendente também discorreu sobre ciclo de violência tipificadas na Lei Maria da Penha. Para ela, a violência interpessoal geralmente segue um padrão de agressão. A agressão é infligida em um ciclo repetitivo, composto de três frases: a criação da tensão, o ato de violência e uma fase amorosa, tranquila. Por isso tem mulher que apanha pela primeira vez, denuncia o agressor e depois de receber pedido de desculpas e carinhos, termina retirando a queixa. “Isso acontece porque a cabeça da mulher é diferente. A mulher foi educada para acolher, mas temos que mudar isso tomando atitudes de denunciar o agressor.”

Ao finalizar, Isabel Silveira orientou de como a mulher deve proceder após ser agredida. De acordo com ela, a denúncia de violência doméstica pode ser feita em qualquer delegacia, com o registro de um boletim de ocorrência, ou pela Central de Atendimento à Mulher (Ligando 180), serviço da Secretaria de Políticas para as Mulheres. A denúncia é anônima e gratuita, disponível 24 horas, em todo o país.

Presente no encontro, a secretária municipal de Assistência Social, Elizabeth Teodoro, também destacou que a pasta em que ocupa no município também acolhe as mulheres em situação de violência.

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